O cinema pode ser metalinguístico, quando fala do próprio cinema (exemplos: “Cinema Paradiso”, “A rosa púrpura do Cairo” etc.). A música pode ser metalingüística (ex.: “Eu não sei fazer música”, dos Titãs).

A literatura pode ser metalingüística (trecho de “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera, em que o autor fala sobre a criação da personagem principal do livro: “Há muitos anos penso em Tomas. Mas é sob a luz destas reflexões que o vi claramente pela primeira vez. Eu o vejo de pé, numa das janelas do seu apartamento, os olhos fixos, do outro lado do pátio, na parede do prédio defronte, sem saber o que fazer.”). A pintura pode ser metalingüística, como quando Velásquez pinta “As meninas”: na tela, retrata a si mesmo pintando um quadro.

"As meninas", Velásquez (detalhe)
Destes exemplos, percebe-se que a metalinguagem pode ser entendida em um sentido amplo: qualquer linguagem (cinema, pintura etc.) referindo a si mesma. Entretanto, mais comumente “metalinguagem” é termo usado para a quando a língua fala de si mesma.
Uma gramática é metalinguagem do início ao fim. Este trabalho aqui também.
Um autor deve tomar cuidado quando faz uma citação metalinguística. Comumente deve apontar que está usando uma metalinguagem, sob risco de gerar confusão, caso não o faça. Por exemplo, compare estas duas sentenças:
• em latim, “alìquod” significava alguma coisa;
• em latim, “alìquod” significava “alguma coisa”.
Na primeira, o leitor atento perguntaria: “Significava alguma coisa, mas o quê?”. Na segunda, entenderia que “alìquod” signficava a palavra “algo”, significava a expressão “alguma coisa”.
As aspas, apontando a metalinguagem, clarearam a ambiguidade da interpretação. Nem sempre elas são necessárias. Neste exemplo, real, o entendimento não é prejudicado pela sua ausência: “Os escribas do faraó descobriram que essa palavra [bekos] significava pão em frígio (…)” (Biblioteca EntreLivros, n. 4, página 22). Mas, e se bekos, ao invés de “pão”, significasse “tudo”? A frase ficaria estranha, demoraríamos um pouco a entendê-la ou talvez nem a compreenderíamos.
Ou seja, se apontar a metalinguagem às vezes é necessário, que se faça sempre, por uma questão de coerência textual. Em resumo: use filtro solar aspas, sempre!
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“As meninas”, completo e ampliado, aqui
#1 por Graziele em 10 de Setembro de 2009 - 1:18
Você sempre em defesa das aspas, hein!?
#2 por fernandopsiq em 10 de Setembro de 2009 - 13:12
Hahaha… É verdade, estou defendendo onde nem são necessárias…
Contra a Gramática e a favor das aspas. Não deixa de ser contraditório… Mas eu me entendo.