Arquivo por categoria clichês

JULIANA ALVES NA PLAYBOY E MAIS DOIS CLICHÊ PARA A COLEÇÃO

A atriz Juliana Alves confirmou que aparecerá nua na edição de outubro de 2009 da revista Playboy.

Grátis, dois clichês para nossa coleção:

cliches-mulher-escultural

Porque toda mulher formosa é “escultural” e sua beleza é sempre “estonteante”…

*

(fonte)

, , , ,

Sem comentários

"LÍNGUA" – CAETANO VELOSO – vídeo, letra e interpretação

As gramáticas e os manuais de estilo sempre falam contra o clichê. Entretanto, quase todos caem em um: citar a música “Língua”, de Caetano Veloso, e o poema “Língua Portuguesa”, de Olavo Bilac. Como se mais nada de interessante no campo da metalinguagem houvesse sido criado em séculos de produção em português – mas, justiça seja feita: são duas obras poderosas, especialmente a de Caetano que, além de palavras, nos dá ritmo.

Na internet, ao menos há uma vantagem: podemos disponibilizar o vídeo de Caetano cantando (bela aliteração…) esta música.

Vídeo de “Língua”, de Caetano Veloso

(Caetano cantando “Língua” com Elza Soares e Chico Buarque, em um vídeo mais antigo: aqui)

Letra de “Língua”, de Caetano Veloso

Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
Fala Mangueira! Fala!
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?
Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E – xeque-mate – explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Lobo do lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em ã
De coisas como rã e ímã
Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé
e Maria da Fé
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?
Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
(– Será que ele está no Pão de Açúcar?
– Tá craude brô
– Você e tu
– Lhe amo
– Qué queu te faço, nego?
– Bote ligeiro!
– Ma’de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado!
– Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!
– I like to spend some time in Mozambique
– Arigatô, arigatô!)
Nós canto-falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem.

Interpretação de “Língua”, de Caetano Veloso

Mais interessante que apenas reproduzir a letra de “Língua” seria tentar interpretá-la. Não é uma tarefa simples, pois é uma composição que, embora às vezes pareça nonsense, é cheia de citações que, para serem entendidas, exigem uma grande cultura linguística.

Cinco exemplos:
* “gosto de ser e de estar” – é uma comparação com o inglês, que tem apenas o verbo “to be” para significar “ser” ou “estar”. O português seria melhor, portanto, neste aspecto: é diferente, por exemplo, dizermos “eu sou doente” de “eu estou doente”.
* “gosto do Pessoa na pessoa / da rosa no Rosa” – citações ao poeta português Fernando Pessoa e ao escritor brasileiro Guimarães Rosa.
* “Minha pátria é minha língua” – reconstrução de uma frase de Fernando Pessoa, “Minha pátria é a língua portuguesa”, que intitula texto presente no “Livro do desassossego”.
* “flor do Lácio” – refere-se ao poema de Olavo Bilac, que assim começa “Última flor do Lácio, inculta e bela”. Lácio é a região da atual Itália onde surgiu o latim, há mais de 2 mil anos.
* “ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo” – os pronomes possessivos “seu” e “sua” geram ambiguidade – se digo a alguém “O Roberto tem medo da sua mulher”, o ouvinte pensará que o medroso teme a esposa de quem? O uso do “dele”, na frase, apesar de não recomendado pela Gramática, resolveria a ambiguidade. Sendo prágmático, é adotado pelo povo, que dirá “O Roberto tem medo da mulher dele”. E acaba sendo adotado também por repórteres da TV Globo, rede mais formal.

Por outro lado, ao invés de uma interpretação frase a frase da letra, é possível uma interpretação global. Em suma, eu diria que a a música é uma declaração de amor à língua portuguesa. Não apenas no sentido expresso, como no verso “gosto de ser e de estar”, mas também perceptível quando Caetano, um dos poucos letristas que também pode ser considerado um poeta, usa e abusa da versatilidade de nossa língua ao compor seus versos, exaltando até a sonoridade desta.

3 comentários

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline