Arquivo por categoria etimologia
ETIMOLOGIAS DO MEDO, DO AMOR E DA VERGONHA: INTIMAR, INTIMIDADE, INTIMIDAR, TIMIDEZ
Publicado por admin em etimologia às 12 de Setembro de 2009
ETIMOLOGIA (CURIOSIDADES): AUSTRÁLIA, ÁUSTRIA, AUSTRAL, AUSTRALOPHITECUS, PITECO, LSD, AUSTERIDADES, MACACO
Publicado por admin em curiosidades, etimologia, latim, língua portuguesa, radicais às 22 de Julho de 2009
O MACACO PSICODÉLICO
No latim, “auster” significava “austro”, o vento vindo do sul, e também a região de onde vinha este vento. O termo nos deixou o radical “austr-”, que está na origem do nome dos países Austrália e Áustria. Contudo, no caso deste último, há supostamente um erro, já que o país está no hemisfério Norte e ao norte da sede do Império Romano – supõe-se que seja uma tradução mal-feita para o original Osterreich, que significaria “Reino do Oriente”.
A moeda da Argentina, país bem ao sul da América do Sul, já se chamou “austral”.
O radical serviu também para nomear um gênero de hominídeos (primatas) que seria o antecedente direto do humano na escala evolutiva: o Australophitecus – “-piteco” vem do grego, significando “macaco” (o desenhista Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, nas histórias de Horácio, faz conviver dinossauros e humanóides, e o representante destes, não por coincidência, se chama Piteco). Os australopitecos já eram bípedes e tinham a coluna ereta. Seu nome faz referência ao Sul (isto é, a África, onde se acredita que tenha surgido), e não à Austrália.
Em 1974 foram encontrados vários ossos fossilizados de uma fêmea desta espécie e os estudos indicam que ela viveu há cerca de 3 milhões de anos. Foi apelidada de “Lucy” – isto porque, na noite da descobertas, no toca-fita de um dos pesquisadores tocava a música “Lucy in the sky with diamonds”, dos Beatles.
Esta música também tem uma curiosidade linguística. Dizem que seu título seria um acrônimo (“acr(o)-” e “-ônimo” vêm do grego “ákros” e “ónoma”, respectivamente “extremidade” e “nome” – ou seja, acrônimo é a palavra formada pelas iniciais de outras): Lucy, sky e diamonds dariam em… “LSD” (abreviatura de ácido lisérgico, droga muito comum nos anos 60, causadora de alucinações). De fato, o disco dos Beatles ao qual a música pertence, é bastante criativo, experimental, isto é, psicodélico (“o que clareia o espírito”).
Voltando ao “auster”… E “austeridade”? Também veio deste radical? Não. Veio de “auster-”, de origem grega (“austeros”), que significava severo, (líquido) acre – o radical passou pelo latim e, depois do século XVI, foi usado para a criação de palavras relacionadas.
E a nossa palavra “macaco”? A origem é incerta, mas acredita-se que tenha vindo de uma língua africana, provavelmente o banto (por exemplo: no quinguana, falado no Congo, temos “makako”, indicando realmente um pequeno símio).
Fonte da imagem: Wikimedia
ETIMOLOGIA (CURIOSIDADES): MUSA, MÚSICA, MUSEU E MOSAICO
Publicado por admin em curiosidades, etimologia, latim, língua portuguesa, radicais às 20 de Julho de 2009

O MOSAICO DA MUSA
Dois radicais latinos bem parecidos, “mus-” e “mus(a)-” (vindos dos gregos “mûs-” e “môusa”, respectivamente), dariam em palavras bem diferentes. O primeiro acabaria por gerar “músculo” e “mouse”.
Já “môusa”, na mitologia grega, designava cada uma das nove filhas de Zeus com Mnemósine, deusas (ou ninfas, isto é, divindades que habitavam em bosques e riachos) responsáveis pelas ciências e pelas artes: Clio (história), Euterpe (música), Talia (comédia), Melpômene (tragédia), Terpsícore (dança), Erato (elegia), Polínia (poesia lírica), Urânia (astronomia) e Calíope (eloqüência). (Segundo Houaiss, há controvérsias nesta genealogia.)
Por causa desta relação das musas com as artes, a palavra “musa” adquiriu um significado paralelo, “aquela que inspira a arte”, sendo usada depois em referência a mulheres comuns, para as quais os poetas e outros artistas, apaixonados, dedicavam suas obras.
Hoje a palavra “musa” pode significar apenas uma mulher bonita.
É da palavra “musa”, por conta deste significado de inspiração, que nasceu a palavra “música”.
Também com origem no mesmo radical temos a palavra “museu”. “Mouseîon”, no grego, era o templo das musas, sua moradia. Por extensão, “museu” é o local onde se exercitavam as artes. Hoje, o significado não é este de laboratório artístico, mas sim de onde se colecionam as obras.
No latim clássico, “musivum opus” significava “obra inspirada pelas musas”. Ainda no latim, esta expressão gerou “musaicum”. No italiano, “musaico” e, depois, “mosaico” – imagem formada pela junção de pequenas pedras ou vidros coloridos -, que assim chegou ao português. Os mosaicos são muito encontrados em igrejas, já as musas, hereticamente, muitas vezes estão nuas em revistas…
A palavra “mosaico” significa também “referente a Moisés”, o patriarca bíblico – mas neste caso a origem é outra, obviamente – temos aí, então, um caso de homonímia: palavras de mesma grafia, coincidente, mas de origens diferentes.
Saiba mais: curiosidades etimológicas: ratinho, músculo, mouse e mioma.
A moça da foto que ilustra o post é Siara Beatriz, representante do Corinthians no concurso Musa do Brasileirão 2009 (ver outras). (Não queriam a foto de um museu empoeirado, né?)
ETIMOLOGIA (CURIOSIDADES): RATINHO, MÚSCULO, MOUSE E MIOCÁRDIO
Publicado por admin em curiosidades, etimologia, latim, língua portuguesa, radicais às 20 de Julho de 2009
O SEU CORPO ESTÁ CHEIO DE RATOS
Quantos ratos você possui? Nenhum?! Isto é o que você pensa… Saiba que todos nós possuímos mais de seiscentos! Esta é a quantidade de músculos que possui o corpo humano, segundo os anatomistas. E o que os ratos têm a ver com os músculos? Tudo!
Em latim, “rato” é “mus-” (anteriormente, no grego: “mûs-”). “Musculus” é o diminutivo, ou seja, “ratinho”. Por algum estranho motivo, os antigos acharam que os músculos se pareciam a ratinhos, e assim chamaram a estas importantes estruturas do nosso corpo.
No grego, “mûs-” tinha uma variante “mi(o)-”, com o mesmo significado de rato ou músculo, radical este que do século XIX em diante foi base para várias palavras, mas então significando apenas “músculo”: “miocárdio” (músculo do coração), “mialgia” (o nome técnico da dor muscular), “mioma” (tumor benigno nos músculos uterinos), “mioclonia” (contrações musculares rápidas e involuntárias, como na convulsão), “miastenia” (fraqueza muscular) etc.
Por semelhança, poderíamos pensar que a palavra “música” teria algo a ver com os ratos ou com os músculos. Não, música vem do grego “môusa” (passando pelo latim “musa”) – na mitologia, cada uma das nove deusas filhas de Zeus com Mnemósine.
O “mus-”, no inglês, daria em “mouse”, palavra que hoje significa também um acessório do computador, por causa da semelhança física deste periférico com o animalzinho. Em Portugal, o acessório é chamado de “rato” mesmo. No Brasil, o estrangeirismo pegou, e o dicionário Houaiss registra a entrada mouse (em itálico).
Nos notebook, aquela área onde, com o dedo, movemos a seta na tela, tem o nome oficial de “touchpad” (às vezes escrito separadamente, “touch pad”), que poderia ser (mal) traduzido como “área de toque” – seu nome deriva do “mouse pad”, o “tapetinho” sob o qual colocamos o mouse tradicional. Curiosamente, muitos chamam o touchpad de “mouse” – desta forma, o termo pode acabar perdendo a ligação original com o seu formato.
Mas… de onde veio a nossa palavra “rato”, afinal? Veio de “rattu”, palavra encontrada no latim vulgar. Provavelmente era uma onomatopéia, isto é, tentava representar o som que o pequeno mamífero faz ao roer.
Saiba mais: curiosidades etimológicas: musa, música, museu e mosaico.
A imagem que ilustra o texto retrata o trabalho de dois americanos, que pegaram um rato morto (obviamente) e usaram sua pele para cobrir um mouse. (fonte)
